Relato de parto: Cesariana com 37 semanas de gestação

Ei gente, até que enfim consegui escrever o relato do meu parto. Foi tudo tão intenso nesses dois meses que agora que as coisas estão começando a entrar nos eixos. É tudo novo e acabei ficando totalmente imersa na função mãe que parei totalmente a me dedicar ao blog e as redes sociais. Mas chega de conversa e vamos ao que interessa.

Maria Cecília nasceu de parto cesáreo no dia 01/05/2018 às 2:08, com 37 semanas e dois dias, na maternidade do hospital Materdei em Belo Horizonte, o parto teve que ser feito de emergência por eu estar com o quadro evoluída da pré-eclampsia que é a sindrome de hellp.

Com aproximadamente 33 semanas de gestação estava me sentindo muito inchada e cansada e resolvi ir ao hospital pra ver como tudo estava, chegando lá minha pressão arterial estava altíssima e fui diagnosticada com doença hipertensiva da gravidez, e passei a fazer um controle mais de perto com consultas semanais e também passei a tomar remédio para controlar a pressão arterial. E fui alertada pela minha médica que se sentisse qualquer um dos sintomas como dor de estômago, enjoo, visão com pontinhos brilhando, inchaço, dor de cabeça e a pressão chegasse a 140 que fosse para o pronto socorro imediatamente.

Ainda com 33 semanas fiz o exame de preteinúria que é para detectar proteína na urina que é um dos indicativos de uma possível pré-eclampsia e até aquele momento estava com os valores normais.

Assim fui controlando nas semanas seguintes, passei a ficar mais de repouso e observar mais os sinais que meu corpo poderia dar, foi então que no dia 29/04/2018 um domingo a noite comecei a sentir uma dor no estomago que foi aumentando madrugada a dentro, senti tanta dor que não consegui dormir. Umas três da manhã tomei um banho para ver se melhorava e chamei meu marido para irmos ao hospital. Ele ainda me perguntou: vamos levar as malas da maternidade? Eu falei: não, ela não vai nascer hoje! rsrsr.

As 06:30 do dia 30/04/2018 eu já estava sendo atendida e pra minha surpresa recebendo a notícia que ficaria internada para minha filha nascer. Estava com alguns exames muito alterados e a pressão arterial muito alta mesmo tomando remédio, dando indicativo de pré-eclâmpsia, e que tentariam induzir o parto para que fosse normal e acompanhariam esses exames de hora em hora para ver a evolução.

Passei o dia todo no hospital sendo feita a indução por comprimidos introduzidos via vaginal para que houvesse a dilatação e o afinamento do colo do útero. Mas que essa indução só seguiria o protocolo de 6 doses (uma dose a cada 4 horas) se meus resultados de exame não fossem piorando e nem colocando em risco a mim e minha filha.

Assim foram feitas três doses, ou seja, já estava há doze horas aguardando e nada de ocorrer nenhuma dilatação nem afinamento do colo do útero e meus exames começaram a piorar, as plaquetas estavam ficando muito baixas, os exames do fígado piorando, evoluindo a pré-eclampsia para seu quadro mais grave que é a Síndrome de Hellp, foi aí que minha médica resolveu que era melhor fazer uma cesárea imediatamente.

Na hora comecei a chorar mas logo percebi que se era para não colocar a minha vida e da minha princesa em risco realmente era o que tinha que ser feito e eu teria que ser forte, pois a gravidez inteira pedi muito a Deus para que tudo corresse bem e não fosse necessário fazer cesariana por ter muito medo da anestesia.

Me preparei psicologicamente, vesti a camisola que o hospital pediu, avisei minha mãe e fui levada para o bloco cirúrgico da maternidade. Só quis que meu marido estivesse comigo, embora o Materdei permita dois acompanhantes. Fui então para a sala de parto e meu marido ficou preenchendo alguns documentos que eles pediram. Me sentaram na maca, me colocaram na posição para aplicação da anestesia, eu estava extremamente nervosa, mas fui fazendo tudo que me pediram, a forma de sentar, respirar, tudo foi conduzido pelo médico anestesista e logo eu já estava deitada na maca, meu marido então entrou na sala de parto e tudo o parto foi sendo feito.

Em certo momento alguém me perguntou se poderia abrir a porta do “mineirinho” para minha mãe e meu pai entrarem e verem o finzinho do parto e a chegada da minha princesa. Essa é uma coisa bem legal da maternidade do Materdei, se você quiser pode deixar sua família assistir o parto. Como o meu foi de madrugada e as pressas só deu tempo de avisar os meus pais, o Rapha até tentou falar com a mãe dele mas não conseguiu.

O parto correu tudo bem, a pressão arterial se manteve controlada e não senti absolutamente nada, e logo ouvi aquele chorinho mais esperado, minha Maria Cecília chegou, nasceu linda e super saudável, papai logo a pegou e a colocou sobre mim. Sério, é um dos momentos mais emocionantes da minha vida. É uma alegria inexplicável.

Após todos os procedimentos fiquei em observação antes de poder voltar pro quarto , essas horas foram intermináveis para mim, é muito estranho o efeito da anestesia nas pernas, elas ficam formigando, e achei que demorou muito a passar, eu e minha ansiedade, rsrs. Durante todo esse tempo minha filha permaneceu comigo e por ser madrugada e estar vazio deixaram meu marido e meus pais ficarem comigo. As 5:00 da manhã já estava de volta ao quarto com minha filha nos braços para podermos descansar.

Fiquei internada por mais três dias pois mesmo após o parto ainda existia o risco de complicações devido a síndrome de hellp, mas graças a Deus tudo foi normalizando, os resultados dos exames foram melhorando e minha pressão foi controlando com os remédios.

Quis fazer esse relato para alertar as mamães a ficarem atentas, pois uma dor de estomago na gravidez pode ser indicativo de algo mais grave. Na realidade tudo que ocorre com nosso corpo na gravidez por menor que seja, por mais insignificante que possa parecer deve ser investigado. Não podemos ficar esperando passar, e se o médico não te der a atenção que você espera, procure outro, pois o nosso sexto sentido vale ouro.

E fiquem muito atentas a pré-eclampsia e a síndrome de Hellp que é uma complicação obstétrica grave, mas raríssima (menos de 1% de todas as gravidezes podem evoluir para esta situação), que pode causar a morte da mãe e do bebê.

A síndrome Hellp é caracterizada por um conjunto de alterações laboratoriais que incluem destruição dos glóbulos vermelhos, compromisso do fígado e compromisso da coagulação do sangue. Pode provocar insuficiência renal, problemas no fígado ou edema agudo no pulmão na mãe e ainda o parto prematuro. Graças a Deus ocorreu comigo já no fim da gestação, ou seja, Maria Cecília nem é considerada prematura, pois parto com 37 semanas já é considerado a termo.

E hoje em dia já existem exames que podem indicar a possibilidade de haver pré-eclampsia. Quando eu fiz um ultrassom com aproximadamente 12 semanas fui diagnosticada com essa possibilidade a partir das 34 semanas e minha médica me prescreveu tomar aspirina durante toda a gravidez, tomei direitinho, 1 comprimido diariamente, acredito que isso ajudou a ocorrer a pré-eclampsia em sua forma agravada a síndrome de Hellp só após eu completar as 37 semanas e não ter nada grave nem comigo nem com minha princesa.

Então é isso, espero que esse relato possa de alguma forma ajudar alguma mamãe. Se tiverem alguma dúvida, ou quiserem saber algo específico só me chamarem que terei o maior prazer em responder.

Bjos.

Patricia Mapa

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *